Questão de Biologia (ENEM): Sistema digestório - ação enzimática e pH
ENEM · Biologia · nível médio
Durante uma aula prática, estudantes simularam o processo de digestão química utilizando três tubos de ensaio contendo amido, cada um com uma enzima diferente (amilase salivar, pepsina e amilase pancreática) em condições de pH controladas: tubo 1 com pH 6,8 (próximo ao da boca), tubo 2 com pH 2,0 (próximo ao do estômago) e tubo 3 com pH 8,0 (próximo ao do intestino delgado). Após 30 minutos, testaram a presença de amido residual em cada tubo com lugol. Os resultados mostraram que apenas os tubos 1 e 3 apresentaram degradação significativa do amido, enquanto no tubo 2 o amido permaneceu praticamente intacto. Esse resultado experimental pode ser explicado pelo fato de que:
a pepsina atua especificamente sobre proteínas e não sobre carboidratos, além de as amilases terem sua atividade ótima prejudicada em pH muito ácido
o amido é uma molécula resistente à ação de qualquer enzima em meio ácido, independentemente do tipo de enzima presente
o estômago não participa do processo digestório de nutrientes, servindo apenas como reservatório temporário de alimentos
a pepsina necessita de bile para ser ativada, substância ausente no ambiente experimental simulado
o pH ácido do tubo 2 destruiu completamente a estrutura molecular do amido, tornando-o indetectável pelo lugol
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Ideia central: cada enzima digestiva possui especificidade de substrato e um pH ótimo de atuação; fora dessas condições, sua atividade catalítica é reduzida ou anulada.
Resolução passo a passo:
A amilase salivar atua sobre o amido em pH próximo ao neutro (boca), degradando-o em maltose — por isso o tubo 1 mostrou digestão.
A pepsina é uma enzima proteolítica (digere proteínas), não possuindo sítio ativo compatível com a molécula de amido (polissacarídeo). Além disso, mesmo que houvesse outra amilase nesse tubo, o pH muito ácido (2,0) desnaturaria parcialmente sua estrutura, inativando-a.
A amilase pancreática tem pH ótimo levemente alcalino (intestino delgado), por isso o tubo 3 também apresentou digestão eficiente do amido.
Logo, a ausência de digestão no tubo 2 se deve à combinação de dois fatores: especificidade de substrato da pepsina e inadequação do pH ácido para enzimas amilolíticas.
Por que as outras estão erradas:
(B) Errada: o amido não é universalmente resistente em meio ácido; a questão é a enzima presente, não apenas o pH isolado.
(C) Errada: o estômago participa ativamente da digestão proteica via pepsina e HCl, não sendo um reservatório passivo.
(D) Errada: a pepsina é ativada pelo HCl gástrico (a partir do pepsinogênio), não pela bile; a bile atua na emulsificação de lipídios no intestino.
(E) Errada: o pH ácido não destrói a estrutura do amido a ponto de impedir sua detecção pelo lugol; o teste de lugol continuaria detectando amido se ele estivesse presente.
Dica para a prova: sempre relacione enzima → substrato específico → pH ótimo. Questões do ENEM adoram testar a lógica de que 'nem toda enzima atua em qualquer pH ou substrato'.
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