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Questão de Biologia (ENEM): Vírus e bactérias: diferenças estruturais e implicações terapêuticas

ENEM · Biologia · nível difícil

Durante a pandemia de COVID-19, houve grande circulação de desinformação sobre o uso de antibióticos para tratar infecções causadas pelo vírus SARS-CoV-2, o que contribuiu para o uso inadequado desses medicamentos e para o agravamento do problema de resistência bacteriana. Antibióticos como os beta-lactâmicos (ex.: penicilinas) atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana, formada por peptideoglicano, enquanto outros, como os macrolídeos, bloqueiam a síntese proteica ao se ligarem aos ribossomos bacterianos (subunidade 50S). Considerando as diferenças estruturais e metabólicas entre vírus e bactérias, assinale a alternativa que explica corretamente por que os antibióticos citados são ineficazes contra o SARS-CoV-2.

  1. Os vírus possuem parede celular de composição química diferente da bactéria, o que impede a ação dos beta-lactâmicos, mas não dos macrolídeos.
  2. Os vírus são organismos procariontes desprovidos de ribossomos, mas vivos e com metabolismo próprio, o que os torna insensíveis a qualquer classe de antibiótico.
  3. Os vírus não possuem parede celular nem ribossomos próprios, pois são partículas acelulares que dependem da maquinaria metabólica e dos ribossomos da célula hospedeira para se replicar, não havendo estruturas-alvo para esses fármacos.
  4. Os antibióticos citados atuam exclusivamente sobre o material genético, e como os vírus podem ter RNA em vez de DNA, suas enzimas não reconhecem o alvo molecular.
  5. Os vírus possuem membrana plasmática revestida por uma segunda camada lipídica resistente, o que bloqueia fisicamente a entrada dos antibióticos na partícula viral.

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Gabarito: C

Ideia central: antibióticos têm como alvo estruturas típicas de células bacterianas (parede de peptideoglicano, ribossomos 70S); como os vírus são partículas acelulares sem essas estruturas, esses fármacos não têm alvo de ação sobre eles.

Resolução passo a passo:

  1. Bactérias são procariontes celulares, com parede celular de peptideoglicano e ribossomos próprios (70S), por isso são alvos de antibióticos.
  2. Vírus, como o SARS-CoV-2, são acelulares: não têm parede celular, membrana plasmática própria (o envelope viral, quando existe, deriva da célula hospedeira) nem ribossomos — usam os ribossomos da célula que infectam para traduzir suas proteínas.
  3. Logo, fármacos que inibem síntese de peptideoglicano (beta-lactâmicos) ou que se ligam a ribossomos bacterianos (macrolídeos) simplesmente não encontram essas estruturas no vírus, sendo ineficazes.
  4. Essa é a razão molecular/estrutural correta para a ineficácia dos antibióticos contra infecções virais.

Por que as outras estão erradas:

Dica de prova: sempre que a questão comparar vírus e bactérias, pense primeiro em estrutura celular: bactéria = célula procarionte completa (parede, ribossomos, membrana); vírus = partícula acelular (cápsula proteica ± envelope, sem ribossomos nem parede), dependente da célula hospedeira para se replicar.

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