Questão de Farmacologia (Concursos da saúde): Mecanismo de ação e resistência bacteriana a antimicrobianos
Concursos da saúde · Farmacologia · nível médio
Um hospital público registrou aumento de infecções por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA) em sua unidade de terapia intensiva. A farmacêutica clínica, ao revisar os prontuários, observou que os isolados apresentavam resistência mediada pela produção de uma proteína ligadora de penicilina alterada (PBP2a), codificada pelo gene mecA, que reduz a afinidade do microrganismo pelos antibióticos betalactâmicos. Com base no mecanismo de ação dos betalactâmicos e no tipo de resistência descrito, assinale a alternativa correta.
A resistência mediada pela PBP2a impede a formação de poros na membrana externa, bloqueando a entrada do antibiótico na célula bacteriana
Os betalactâmicos atuam inibindo a síntese de peptideoglicano ao se ligarem às PBPs; a PBP2a alterada tem baixa afinidade por esses fármacos, permitindo a continuidade da síntese da parede celular mesmo na presença do antibiótico
A resistência descrita decorre da produção de betalactamases que hidrolisam o anel betalactâmico antes que o fármaco atinja seu sítio de ação
O mecanismo relatado é um exemplo de efluxo ativo, no qual bombas de membrana expelem o antibiótico do meio intracelular
A alteração da PBP2a torna a bactéria incapaz de se dividir, mas não interfere na ação do antibiótico sobre a parede celular
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A resistência do MRSA ocorre porque a bactéria produz uma PBP alternativa (PBP2a) com baixa afinidade pelos betalactâmicos, permitindo que a síntese da parede celular continue mesmo na presença do fármaco.
Resolução passo a passo
Os antibióticos betalactâmicos (penicilinas, cefalosporinas) atuam ligando-se às PBPs (penicillin-binding proteins), enzimas responsáveis pela transpeptidação final da síntese do peptideoglicano da parede celular bacteriana.
Ao se ligarem às PBPs normais, esses fármacos inibem a formação de ligações cruzadas entre cadeias de peptideoglicano, levando à lise celular.
No MRSA, o gene mecA codifica uma PBP modificada, a PBP2a, que possui baixíssima afinidade pelos betalactâmicos.
Assim, mesmo em presença do antibiótico, a PBP2a continua catalisando a síntese da parede celular, tornando a bactéria resistente a quase todos os betalactâmicos, incluindo a oxacilina (daí o nome MRSA).
Esse mecanismo é diferente da produção de betalactamases (hidrólise do anel betalactâmico) e do efluxo ativo (bombas de membrana), que são outros mecanismos de resistência, mas não o descrito no enunciado.
Por que as outras estão erradas
A: descreve resistência por alteração de porinas (típica de bactérias Gram-negativas), não o mecanismo da PBP2a.
C: refere-se à produção de betalactamases, mecanismo diferente do descrito (que envolve alteração do sítio de ligação, não degradação do fármaco).
D: descreve efluxo ativo, mecanismo distinto, comum em resistência a tetraciclinas e fluoroquinolonas.
E: incorreta, pois a PBP2a não impede a divisão celular; ao contrário, permite que a síntese da parede continue normalmente, mantendo a viabilidade bacteriana.
Dica para a prova
Sempre associe MRSA → gene mecA → PBP2a → baixa afinidade por betalactâmicos → resistência à oxacilina/meticilina, não a produção de enzimas destrutivas.
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